quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Escamas


Ressoa a pele verde e incrustada de mágoas - clave de sol -
um verme se espreme entre as circunvoluções do meu cérebro
Respiro aliviada porque meus pelos têm a cor dos cachorros magros
Respiro aliviada porque minha alma tem a candura das tardes longas de solstício
Respiro aliviada porque minha boca perdeu o fel de antigamente.

A língua salivante  de lagarto passeia abstrata nas minhas gretas
Geme meu quadril curva desalinhada
Quero desentristecer
mas olho de soslaio as venezianas
e vejo me encarando seu sorriso entre muralhas.

5 comentários:

Adriana Godoy disse...

Putz! Maravilhoso! Beijo

Fernando Rocha disse...

Alguns versos deste belo poema, caso eu não esteja enganado, fazem parte de um dos seus contos, gosto desta proximidade de gêneros, principalmente quando vem do eu-profundo.

On The Rocks. disse...

Nem sei o que dizer. Às vezes acontece e fico assim, mudo. Mas é só pra dizer que estive aqui - rs

Bj.

Lisa Alves disse...

Há toques tão surreais na tua escrita... Salve a criatividade humana!Grande abraço

Braga e Poesia disse...

a sexualidade sempre presente é uma marca em barbieri, mas essa marca não é uma referencia besta e nem apelativa, antes deságua no querer a vida e da vida o viver sem medo.
A escrita de marcia busca desenterrar escombros repressivos que lá do fundo da alma pode levar vida a ser morte e marcia escolheu a vida, simples né.