segunda-feira, 21 de julho de 2008

Here, there and everywhere


Um voyer, um viajante, peregrino e inabitável em uma cidade conhecida. Um novo gato num velho telhado. Foi assim que me senti. Cada paralelepípedo parecia ilusório e impalpável! Como se de repente as pedras criassem asas. Não me admirei das coisas novas, das novas casas, das novas janelas, das novas árvores. Me admirei pelas coisas antigas, que ainda permaneciam lá, intactas,como se nem Deus e nem o vento fosse capaz de arruiná-las. Os mesmos rostos, feridos pelas mesmas rugas. Os antigos fantasmas, agora despertados pelo toque curioso dos meus dedos. Ah! Os meus dedos! esses já não são novos, já tocaram outras histórias, desvendaram outros mistérios, já penetraram fundo em outras chagas! Algumas incuráveis , outras o tempo se encarregará de agravar.

Estou indo embora de malas cheias, mas sei que alguma coisa ficou.

Abro a porta da minha nova casa. Os meus novos fantasmas estão lá, com um sorriso branco, irônico e pouco complacente na cozinha, eles tomam café e uma antiga lembrança escapa fresca pela garrafa.

Um comentário:

Germano Xavier disse...

Alguma coisa de magistral nesse mini-conto, professora.

Acabei lembrando de um filme que não recordo o nome agora.

Lendo sempre e sempre em deleite.
Mais abraços...
Germano